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E atenção: num magnífico interesse de jornalismo investigativo, consegui em primeira mão o resultado do ‘Grande Prêmio Arnaldo Afonso’ de melhor instrumento artístico de 2015 (nessa nossa seara dos saraus). Computados todos os (meus) votos secretos, o livro ‘A Puta’ (não se engane com o título: é altíssima literatura!), da escritora Marcia Barbieri, foi declarado vencedor de modo irrecusável.


Congratulações a todos e palmas com o objetivo de ela que ela merece. Brincadeiras à parcela, é óbvio que vocês argumentarão: ‘Belas porcarias, Arnaldo, você e esse tal ‘prêmio’ que você inventou! ’. E eu, mesmo concordando e rindo à beça lhes digo: esse ‘prêmio’ não é exatamente de ‘melhor’, em razão de belezas artísticas não competem entre si (antes, dialogam e se somam).


Talvez ele seja desta forma um merecido reconhecimento a quem ‘mais inovou’. E olha que a Marcia concorreu com o muito bom Como suportar jabs no baço e defrontar nocautes, do poeta Vlado Lima. Extenso prêmio mesmo, é poder visualizar as artes dessa gente toda, se divertir e comunicar na vasta cena dos saraus de São Paulo. Enquanto não sai o Enterro do Lobo Branco, novo livro da Marcia Barbieri, finalizo com o texto que escrevi após ler seu genial e sem demora merecidamente ‘premiado’ livro A Puta.


Claro que não sou um crítico especializado. No entanto do que ouço nos saraus, do que leio nos livros e do que acompanho pelos web sites e jornais, sem pânico de exagerar, confesso: no Brasil, hoje, não imagino se tem algum escritor fazendo uma literatura superior que a dela. Marcia é paulista, mestranda em Filosofia e montada em Letras. Além de ter seus textos em antologias e inúmeras revistas literárias, publicou os livros de contos Anéis de Saturno e As Mãos Mirradas de Deus e os romances Mosaico de Rancores e A Puta. No instante, finaliza seu novo romance O Enterro do Lobo Branco. Marcia Barbieri é uma mulher esbelta. Daquelas que nunca precisaram treinar olhares sedutores nos espelhos da adolescência.


Ela só olha, naturalmente seduz. Não bastasse essa hipnose visual que exerce, ainda por cima escreve. Não é pros fracos. Como sofrer seus golpes, absorver frases pesadas e verdades contundentes sem recordar do rosto suave que as desfere, sem estranhar o áspero contraste entre real e ficção? Em nossa cosmética era, onde ‘parecer ser’ vale mais que ‘ser’, graça não é propriedade que se descarte.


Contudo o ‘negócio’ dela é com a Arte (com ‘a’ maiúsculo). O preâmbulo é pra confessar que a gente lê teu livro A Puta e fica completamente envolvido pelo texto visceral e arrebatador de Marcia. E mais: fica meio perturbado, com pavor de que se transmitir ao entusiasmo da leitura seja bem como continuar submisso a ela, a esse alguém superior, deus-fêmea. Ou ‘pior’, a uma todo-poderosa escritora maníaco-demoníaca, vampiresca quem sabe (risos medrosos, tiques nervosos).


Tua literatura, todavia, devo aceitar: é maravilhosa. “Há uma lua podre na face de todo macho e é possível entrever tua escuridão. As mulheres fingem, fingem desde a época das cavernas. Fingimos que desejamos localizar nos homens alguma coisa mais profundo que a pele-epiderme-hipoderme que camufla seu organismo. Fingimos que desejamos achar um som que não soe como um bater em madeira oca.


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“As mães e as putas sabem de tudo, são onipresentes como o diabo. Conhecem cada centímetro imundo do homem e ele não as surpreende. Todas as suas unhas encravadas, os olhos de peixe pela sola do pé vigiando os seus passos mais sórdidos. Eles abrem seus corações e estes fedem como esgoto a céu aberto. Teria pena de meu adversário se ele tivesse que partilhar a mesa com um homem.


Tenho pena das esposas que se consideram melhores do que as putas. …. …. … … … …. …. …. … … … …. Neste 1º de Maio tive o entusiasmo de participar do Projeto Leva e Traz, estruturado pela Moradia da Palavra, de Santo André, tendo à frente a poeta e promotora cultural Rosana Banharoli. Estávamos lá: Sarau da Maria (da Vila Maria), Sarau da Casa Amarela (São Miguel), Sarau na Galeria (de Suzano), Noites Autorais (Guarulhos), o Urbanista Concreto e inúmeros músicos, poetas, escritores e amigos de qualquer um dos saraus. Foram mais de cinco horas de atividade artística ininterrupta. Foram mais de 5 horas de troca de ideias, amizade, arte e comunhão. Fazer porção disso tudo foi concretamente emocionante.

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